terça-feira, 10 de agosto de 2010

Reportagem em Gaza

Guardian.co.uk
Por Sara Roy, no The Nation

Tradução: Caia Fittipaldi

Estive em Gaza em 2009, minha primeira visita desde último ataque israelense ao território. Fiquei petrificada ante o que vi, em local que conheço muito bem há mais de 25 anos: a terra devastada, em frangalhos, a vida das pessoas tão gravemente ameaçada. Gaza decai sob o peso de uma sempre continuada devastação, incapaz de funcionar normalmente. O vácuo que ameaça de todos os lados vai-se enchendo de desespero e ausências que minam até os raros, últimos atos de resistência e otimismo que ainda encontram alguma via de expressão.

O que mais me impressionou foi a candura desse povo, mais da metade do qual são crianças, e a obscenidade, a indecência, o crime que é aquele tipo de punição coletiva infindável.

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O desmonte, o desmanche da economia e da sociedade em Gaza foram deliberados, resultado de uma política de Estado – conscientemente planejada, implementada e imposta.

Embora a maior parcela de responsabilidade por esse crime caiba a Israel, os EUA e a União Europeia, dentre outros, também são culpados, assim como também é culpada a Autoridade Palestina na Cisjordânia. São todos cúmplices na ruína dessa bela terra. E assim como a desgraça de Gaza foi conscientemente orquestrada, assim também estão sendo conscientemente criados os obstáculos para impedir qualquer recuperação.

Gaza tem longa história de sujeição, que assumiu novas dimensões depois da vitória eleitoral do Hamás, em janeiro de 2006. Imediatamente depois daquelas eleições, Israel e alguns países doadores suspenderam contatos com a Autoridade Palestina; imediatamente depois, a ajuda direta também foi suspensa, e veio o boicote financeiro internacional imposto à Autoridade Palestina. Naquele momento, Israel, que já estava confiscando os impostos e taxas que recolhe mensalmente em nome da Autoridade Palestina e não repassa, efetivamente pôs fim à possibilidade de os habitantes de Gaza trabalharem em Israel; e reduziu drasticamente o comércio externo de Gaza.
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Com a escalada da violência de israelenses e palestinos, que levou à morte de dois soldados israelenses e à captura do soldado Gilad Shalit em junho de 2006, Israel fechou todas as fronteiras de Gaza, autorizando a entrada, exclusivamente, de alguns produtos para finalidades humanitárias, o que marcou o início do sítio, que chega hoje ao 4º ano de duração.

A captura de Shalit precipitou assalto militar massivo de Israel contra Gaza no final de junho de 2006, a chamada “Operação Chuvas de Verão” , que visou especificamente a infraestrutura, para tentar desestabilizar o governo liderado pelo Hamás: foram atacados os prédios públicos, os ministérios da Autoridade Palestina; começaram os racionamentos de combustível, eletricidade, água; e os serviços de esgotos foram reduzidos. Essa operação-guerra quase corpo a corpo, diária, durou até outubro de 2006.

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Em junho de 2007, depois de o Hamás chegar ao poder na Faixa de Gaza (o que aconteceu depois de meses de violência interna e de uma tentativa de golpe do partido Fatah contra o governo do Hamás) e da dissolução do governo de unidade nacional, a Autoridade Palestina efetivamente se partiu em duas: formou-se em Gaza um governo de facto, liderado pelo Hamás – e rejeitado com estardalhaço por Israel e pelo ocidente; e formou-se na Cisjordânia o governo oficialmente reconhecido, liderado pelo presidente Mahmoud Abbas. O boicote contra a Cisjordânia da Autoridade Palestina foi levantado, mas o boicote contra Gaza foi intensificado.

Para aumentar ainda mais a miséria de Gaza, o gabinete de segurança de Israel decidiu, em 19/9/2007, declarar a Faixa “entidade inimiga”, controlada por “organização terrorista”. Depois dessa decisão, Israel impôs novas sanções, entre as quais o banimento quase completo de qualquer comércio, controle absoluto sobre os movimentos de ir e vir da maioria dos gazenses, inclusive dos trabalhadores. No outono de 2008, foram proibidas todas as importações de combustível para Gaza. Essas políticas contribuíram para transformar os habitantes de Gaza, de povo com direitos políticos e nacionais, em “problema humanitário” – casos de pobreza e miséria pelos quais se responsabiliza hoje a comunidade internacional.

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Não bastasse os principais países doadores internacionais, sobretudo os EUA e a União Europeia, terem participado do regime de sanções contra Gaza, eles também privilegiaram a Cisjordânia em seu trabalho programático. As estratégias dos doadores são agora de apoiar e fortalecer a fragmentação e o isolamento da Cisjordânia e da Faixa de Gaza – objetivo político de Israel desde o processo de Oslo – e de dividir os palestinos em duas entidades distintas, oferecendo com prodigalidade para um dos lados, ao mesmo tempo em que o outro lado é privado de tudo e criminalizado.

Esse comportamento dos principais países doadores reflete mudança significativa no modo como veem e abordam o conflito Israel-Palestina: a antiga posição, de oposição à ocupação israelense, está sendo trocada por uma nova posição, de apoio à ocupação e, portanto, de reconhecimento.

É o que se vê na ampla e não criticada aceitação da política colonialista israelense e no aprofundamento da separação de Cisjordânia e Gaza, com completo isolamento de Gaza.

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Essa mudança no modo de pensar dos países doadores também pode ser observada na nenhuma disposição de nenhum desses doadores para confrontar nem a anexação de facto de terras palestinas nem o novo movimento dos israelenses para reformular o conflito – que passa a estar centrado exclusivamente em Gaza… sendo Gaza identificada exclusivamente ao Hamás e, portanto, apresentada como ‘terrorista’ e excluída do mundo ‘civilizado’.

Dentro do paradigma “anexação (da Cisjordânia)/‘terroristização’ (da Faixa de Gaza)” qualquer resistência pelos palestinos, estejam na Cisjordânia ou em Gaza, à ocupação repressiva por Israel, incluindo qualquer tentativa significativa de reativar a vida econômica, são hoje consideradas por Israel e por alguns dos países doadores como movimentos ilegítimos e ilegais.

Nesse contexto o regime de sanções contra Gaza pode ser argumentalmente justificado – regime de sanções que jamais foi mitigado desde o final da guerra. O comércio normal (do qual a microscópica economia de Gaza depende desesperadamente) continua proibido; importações e exportações tradicionais praticamente já sumiram de Gaza. De fato, com pequenas e muito específicas exceções, nenhum material de construção e nenhuma matéria prima entram legalmente na Faixa, desde 14/6/2007. De fato, segundo a Anistia Internacional, apenas 41 caminhões carregados com materiais de construção entraram legalmente em Gaza, entre o fim do ataque israelense em meados de janeiro/2009 e dezembro/2009. Isso, em condições em que o setor industrial de Gaza precisaria de 55 mil caminhões carregados de materiais para reconstruções urgentes e indispe nsáveis. Além disso, no ano que decorreu a partir da proibição, as importações de diesel e gasolina de Israel para Gaza para uso privado ou comercial só foram autorizadas em pequenas quantidades e só em quatro ocasiões (embora a Agência para Socorro Humanitário da ONU [ing. United Nations Relief and Works Agency, UNRWA] receba fornecimento periódico de diesel e petróleo). Em agosto passado, 90% da população de Gaza vivia sob racionamento de eletricidade (cortada por 4-8 horas/dia), e os 10% restantes viviam sem nenhuma eletricidade – realidade que não foi alterada até hoje.

BBC
O bloqueio de Gaza provocou também o colapso praticamente total do setor privado. Pelo menos 95% dos estabelecimentos industriais de Gaza (3.750 empresas) foram destruídas ou forçadas a fechar ao longo dos últimos quatro anos, o que implicou perda de entre 100 mil e 120 mil postos de trabalho. As 5% restantes operam com 20-50% da capacidade. As amplas restrições ao comércio também contribuíram para a erosão continuada do setor agrícola de Gaza – agravada ainda mais pela destruição de 5 mil acres de terra agricultável e 305 poços de irrigação, durante o ataque israelense de dez.-jan.2009. Essas perdas incluem a destruição de 140.965 pés de oliveiras, 136.217 limoeiros, 22.745 outras árvores frutíferas, 10.365 tamareiras e outras 8.822 árvores e arbustos.

As terras antes irrigadas estão hoje secas; e o subsolo, contaminado por esgotos e água salgada, torna os campos praticamente imprestáveis. Inúmeras tentativas, de agricultores de Gaza, para replantar ao longo do ano passado, falharam, quase sempre por causa do esgotamento e da contaminação dos solos, com altos níveis de nitratos. O setor agrícola de Gaza também foi muito duramente prejudicado pela zona ‘neutra’ criada por Israel no norte e a leste de Gaza (e pelo Egito, na fronteira sul), exatamente onde estão as terras mais férteis da Faixa. A zona mede oficialmente 300m de largura por 55km de comprimento; mas, segundo a ONU, fazendeiros com terras localizadas a 1.000m da fronteira tem sido afastados a tiros pelo exército israelense. Aproximadamente 30-40% de toda a terra agricultável de Gaza está confinada nessa zona ‘neutra”. O setor agrícola de Gaza vive hoje situação de colapso total.

Distorções assim tão profundas na economia e no desejo da sociedade de Gaza – ainda que se recriem as melhores condições possíveis – exigem décadas para que sejam corrigidas. A economia depende hoje largamente dos empregos no setor público, das organizações de ajuda humanitária e das atividades do contrabando, o que comprova a crescente informalização da economia. Ainda antes do ataque israelense do ano passado, o Banco Mundial já constatava uma redistribuição de riqueza em Gaza, do setor privado formal, para os operadores do mercado negro.

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Há inúmeros exemplos, mas um, particularmente ilustrativo, é o setor bancário. Poucos dias depois de Gaza ser declarada “entidade inimiga”, os bancos israelenses anunciaram a intenção de encerrar todas as transações diretas com bancos sediados em Gaza e só negociar com as instituições irmãs em Ramallah, na Cisjordânia. Nesses termos, os bancos sediados em Ramallah tornaram-se responsáveis pela transferência de moeda para as subsidiárias na Faixa de Gaza. Mas as regulações israelenses proíbem transferência de grandes quantidades de moeda sem prévia aprovação pelo ministério da Defesa e outras agências do aparelho de segurança israelense. Consequentemente, ao longo dos dois últimos anos, o setor bancário de Gaza enfrenta sérios problemas para atender às necessidades de dinheiro de seus clientes. Essa situação, po r sua vez, fez surgir um setor bancário informal que, hoje, é em larga medida controlado por gente ligada ao governo do Hamás, o que converteu o próprio Hamás em principal agente de intermediação das finanças em Gaza. Consequentemente, esses agentes de troca de moeda, que podem facilmente gerar capitais, são, de fato, mais fortes do que o sistema bancário formal, que não troca moeda nem gera capitais nem os faz girar.

Outro exemplo da informalidade econômica crescente em Gaza é a economia dos túneis, que começou a emergir há muito tempo, como primeira resposta ao bloqueio, e criou uma linha vital de abastecimento para uma população que vivia numa prisão a céu aberto. Segundo economistas locais, cerca de 2/3 da atividade econômica em Gaza é hoje orientada para o contrabando de bens que entram em (mas não saem). Mesmo essa última linha vital de abastecimento pode ser diminuída em breve, se o Egito – com a colaboração de engenheiros do governo dos EUA – concluir as obras de construção de uma muralha de aço, parte dela enterrada até o subsolo, ao longo da fronteira com Gaza, numa tentativa para conter o contrabando e o ir e vir de pessoas. Se a muralha chegar a ser completada, terá cerca de 8 km de comprimento e 15m de profundidade.

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Os túneis, que Israel tolera em nome de manter inalteráveis as regras do bloqueio, são também importante fonte de renda para o governo do Hamás e as empresas associadas a ele, o que efetivamente enfraquece as modalidades tradicionais e formais de negócios e qualquer possibilidade de reconstruir um setor viável de comércio e negócios. Desse modo, o bloqueio de Gaza levou a um processo lento mas regular pelo qual se substituiu o setor formal de negócios por outro, quase totalmente marginal e paralelo, um mercado negro, que resiste e rejeita qualquer tipo de registros, regulação ou transparência e que, desgraçadamente, tem o máximo interesse em que as coisas mantenham-se exatamente como estão hoje.

Pelo menos duas novas classes econômicas emergiram em Gaza, fenômeno que teve antecedentes no período de Oslo: uma dessas classes tornou-se extraordinariamente rica, em boa parte por causa da economia de mercado negro dos túneis; a outra é constituída de alguns empregados do setor públicos, pagos (pela Autoridade Palestina na Cisjordânia) para não trabalhar (para o governo do Hamas). Assim, não apenas muitos trabalhadores de Gaza foram forçados a parar de produzir por ação de pressões externas; há hoje, além disso, uma nova categoria de pessoas recompensadas por não produzir – o que não deixa de ser espantosa ilustração-exemplo da realidade cada dia mais distorcida na qual a população de Gaza tem de sobreviver. Tudo isso levou a disparidades econômicas visíveis e monstruosas entre os que têm e os que não têm – como se constata no consumismo pervertido, em restaurantes e shopping-centers, nos quais só pisam os que têm.

Praticamente não há atividade produtiva na economia de Gaza, onde se vê uma espécie de consumismo do desespero entre pobres e ricos, mas que, no caso dos pobres, não supre sequer as necessidades mais básicas. Ainda não apareceram bilhões da ajuda internacional oferecida; e a imensa maioria dos gazenses vivem em situação de miséria absoluta. A combinação de um setor privado esgotado e economia estagnada levou a altíssimas taxas de desemprego (31,6% na cidade de Gaza; 44,1% em Khan Younis). Segundo a Câmara de Comércio Palestina, o desemprego real já se aproxima de 65%. Pelo menos 75% das 1,5 milhão de pessoas que vivem em Gaza dependem hoje de ajuda humanitária para suprir necessidades básicas de sobrevivência; há dez anos, eram 30%.

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Relatórios da ONU mostram que o número de habitantes de Gaza que vivem hoje nas condições mais abjetas de pobreza – os que absolutamente não conseguem alimentar a família – triplicou e já atinge 300 mil, aproximadamente 20% da população.

O acesso a quantidades de comida suficientes para matar a fome continua a ser problema crítico, e parece estar tornando-se mais agudo depois de suspenso o ataque israelense contra Gaza, de setembro de 2009 até o início de janeiro de 2010: estatísticas mostram que Israel só permite que os palestinos recebam nunca mais (e às vezes menos) de 25% do que seria necessário para suprir sua carência alimentar; em vários momentos, essa porcentagem desceu a 16% do mínimo necessário para não morrer de fome ou por efeitos da desnutrição.

Nas duas últimas semanas de janeiro, esses índices desceram: entre 16 e 29 de janeiro, entraram em Gaza, em média, 24,5 caminhões de comida e suprimentos, por dia. Dado que seriam necessários 400 caminhões/dia para alimentar a população, Israel permitiu que chegasse a Gaza apenas 6% da comida necessária, nesse período de duas semanas.

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São números obscenos. Gaza precisa de aproximadamente 240 mil caminhões de comida e suprimentos por ano para “suprir as necessidades da população e responder ao esforço de reconstrução”, segundo a Federação Palestina das Indústrias. Segundo a FAO e o programa World Food, “Há provas de que a população de Gaza está sendo mantida em plano mínimo, segundo padrões humanitários.” Em Gaza se registram os mais baixos índices da relação peso/idade – indicador de desnutrição crônica, já detectada entre crianças com menos de 5 anos, cuja incidência subiu de 8,2% em 1996, para 13,2% em 2006.

A agonia de Gaza não termina aí. Segundo dados da Anistia Internacional, 90-95% da água obtida do aqüífero em Gaza é “imprópria para beber”. Praticamente todos os depósitos subterrâneos de água em Gaza estão contaminados com nitratos, em quantidades muito superiores às admitidas pela OMS – em algumas áreas os números são seis vezes superiores ao padrão máximo admitido –, ou são águas salobras. Gaza já não tem nenhuma fonte regular de água limpa. Segundo relatório de um país doador, “Em nenhum outro lugar do mundo há tantas pessoas expostas a tão altos níveis de nitratos por períodos tão longos de tempo. Jamais se viu situação semelhante e não há estudos que nos ajudem a entender os danos que sofrerão essas pessoas expostas, por tanto tempo, ao envenenamento por nitrato” – o que é ainda mais perigoso no caso das crianças.

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Segundo Desmond Travers, um dos co-autores do Relatório Goldstone, “se essas questões não forem discutidas e essa situação corrigida, em breve Gaza será diagnosticada como área não habitável, pelos padrões da Organização Mundial de Saúde”.
É possível que altos níveis de contaminação por nitratos tenham contribuído para alterações chocantes na taxa de mortalidade infantil entre palestinos na Faixa de Gaza e na Cisjordânia.

A taxa de mortalidade infantil, amplamente usada como indicador de saúde das populações, não se alterara desde 1990 até recentemente. Hoje dá sinais de aumento. Isso, porque as causas de mortes de crianças mudaram: de doenças infecciosas e diarréias, para prematuridade, baixo peso ao nascer e malformações congênitas. São sinais alarmantes (e discrepantes na Região), porque as taxas de mortalidade infantil estão em declínio em praticamente todo o mundo em desenvolvimento, inclusive, por exemplo, no Iraque.

BBC
O povo de Gaza sabe hoje que foi abandonado. Disseram-me alguns, na rua, que a única vez que chegaram a ter esperança de serem ajudados foi quando estavam sob bombardeio, porque então, pelo menos, o mundo tinha notícias de Gaza e talvez prestasse atenção. Gaza é hoje lugar onde a miséria é fantasiada de sobrevivência e caridade é bom negócio.

Contudo, apesar dos esforços de Israel e do ocidente para mostrar Gaza como paraíso de terroristas, a população resiste. Talvez resistam, sobretudo, contra a possibilidade de render-se, não a Israel, mas ao ódio. Há tanta gente que ainda fala de paz, de tentar resolver os conflitos… Seja como for, hoje, em Gaza, nada disso é motivo para otimismo. Tudo, em Gaza, é motivo para desespero.


Sara Roy é pesquisadora sênior do Centro de Estudos do Oriente Médio, da Universidade de Harvard. Seu novo livro, Hamas and Social Islam in Palestine (Princeton University Press, 2010) está no prelo. Esta reportagem foi publicada em fevereiro de 2010.

Gaza's Reality from Occupation 101 on Vimeo.


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sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Hiroshima e Nagasaki: 65 Anos


Postado por: Universae

O texto abaixo foi publicado no Jornal do Brasil em Agosto de 2005 na coluna do grande e saudoso jornalista Fausto Wolff (1940 - 2008). É um texto pertinente, pois hoje se completam 65 anos do horror em Hiroshima (06/08/1945) e posteriormente em Nagasaki (09/08/1945) proporcionado pelos Estados Unidos da América.

"Estávamos parados na rua, incertos e temerosos, até que a casa à nossa frente começou a derreter e caiu aos nossos pés.
Nossa casa também se transformou numa montanha de poeira.
Um vento cruel alimentava as chamas.



Finalmente, compreendemos que não poderíamos ficar ali e nos dirigimos ao hospital.
Nossa casa fora destruída, estávamos feridos e precisávamos de socorro.
Além disso, eu, como médico, devia estar ao lado da minha equipe.
Só depois me dei conta da irracionalidade do meu pensamento.
Que bem eu poderia fazer, ferido como estava?



Começamos a caminhar, mas depois de 30 passos tive de parar.
Não tinha fôlego, meu coração disparara e minhas pernas deixaram de me agüentar. Senti uma sede terrível e pedi à minha mulher que me arranjasse água. Mas não havia água.



Eu estava nu e embora não sentisse vergonha fiquei triste por haver perdido o pudor. Fiquei sentado no chão.
Gradualmente as coisas começaram a entrar em foco.



Pessoas que mais pareciam sombras caminhavam como fantasmas.
Outras se moviam como espantalhos: braços bem abertos para impedir a fricção com a carne queimada.
Uma mulher nua carregava um bebê nu.
Pensei: Talvez eles estivessem tomando banho.


Quando vi alguns homens nus me dei conta de que, como ocorrera comigo, alguma coisa os privara de suas roupas.
Uma velha estava deitada ao meu lado. Seu rosto demonstrava que ela estava sofrendo muito mas não se queixava.
Na verdade, o silêncio era total.


As estradas estavam desertas com exceção dos mortos.
Alguns pareciam ter sido petrificados pela morte enquanto caminhavam.
Outros estavam achatados contra o pavimento como se uma gigantesca mão os houvesse esmagado. 


As montanhas distantes me pareceram mais próximas do que nunca. Como Hiroshima era pequena sem suas casas.
Tudo à minha volta estava carbonizado.


Dentro dos ônibus parados dezenas de corpos mortos em fogo, impossíveis de serem reconhecidos.
Vi reservatórios de água cheios de pessoas mortas até a borda. Pareciam ter sido cozinhadas em água fervente.


Num reservatório vi um homem bebendo água quente misturada com sangue.
O homem ao seu lado estava morto.
Os que podiam caminhavam vagarosa e silenciosamente.
Quando se lhes perguntava de onde haviam vindo, apontavam para a cidade.
Quando se lhes perguntavam para onde estavam indo apontavam para a distância. Todos nus, todos queimados, todos sangrando.


Um povo cujo espírito havia sido quebrado abandonava uma cidade em ruínas.
Simplesmente seguiam os que iam à frente.
Quando o dia acabou tive a impressão de que fora suspenso no tempo, pois não tínhamos nem relógios e nem calendários.''

Vocês acabaram de ler minha tradução do testemunho do Dr. Michihiko Hachiya, diretor do Hospital de Comunicações de Hiroshima, ferido no bombardeio de 6 de agosto de 1945, enquanto estava em sua casa, a uns 1.700 metros do epicentro da catástrofe.
Seu hospital estava mais próximo, a uns 200 metros.
Oitenta dos 190 médicos de Hiroshima morreram.
Sem comentários sobre o modo norte-americano de manter a paz mundial.
Logo que morreram os ingleses e o brasileiro, há pouco, o mundo pediu silêncio, como lamento pelas estúpidas mortes que certamente não teriam ocorrido se a Inglaterra não houvesse se transformado ironicamente numa colônia americana.
Hoje se completam 60 anos do bombardeio em Nagasaki, ocorrido em 09 de agosto, três dias depois do de Hiroshima e totalizando mais de 250 mil mortos nas duas cidades.
Quantos minutos de silêncio pediremos por essas pessoas e quantos pelos quase 50 mil seres humanos - velhos, mulheres e crianças - caçados e mortos no Iraque até agora? Como aconteceu com as cidades japonesas, Bagdá renascerá das cinzas mas jamais será a mesma.
Fausto Wolff
Jornal do Brasil, Agosto de 2005


Imagens documentadas pelo fotógrafo Yosuke Yamahata em 10 de Agosto de 1945 em Nagasaki.

Música: Vinicius de Moraes
Composição: João Apolinário / Gerson Conrradi
Cantor: Ney Matogrosso

The Hiroshima Rose

"Think of all the mute, telepathic children
Think of all the blind, wandering girls
Think of all the spoiled, changed women
Think of all the wounds as cold roses
But don't forget the rose, the rose
The rose of Hiroshima, hereditary rose
Radioactive, stupid, cripple rose
Rose with cirrosis, atomic anti-rose
No color, no smell, no rose, no anything at all"

Rosa de Hiroshima

"Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas, oh, não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroshima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa, sem nada."

La Rosa de Hiroshima

"Piensa en las criaturas mudas, telepáticas
Piensa en las chiquillas ciegas e inexactas
Piensa en las mujeres rotas, alteradas
Piensa en las heridas como rosas cálidas
Pero nunca olvides la rosa, la rosa
La rosa de Hiroshima, rosa hereditaria
La rosa radiactiva, estúpida e inválida
La rosa con cirrosis, la anti-rosa atómica
Sin color, sin perfume, sin rosa, sin nada"

Luz é Amor
Amor é Luz
Mara

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quinta-feira, 8 de julho de 2010

Prelúdio para a Noosfera, Relatório e uma Visão

Instituto de Investigação Galáctica
José Arguelles / Valun Votan


Parte I. Um exame do mundo durante os últimos dias.

"Como é, que tudo o que vejo é o filho de Deus na miséria?”
(Letra de uma canção escutada em um restaurante do hotel em Chennai, Índia)


Recentemente fiz uma viagem ao Quênia e à Índia para experimentar com certa profundidade duas amostras do mundo normalmente não experimentado pela maioria dos “ocidentais." Estas não eram férias ou uma excursão turística, mas parte de uma missão. Durante o tempo que nós (minha companheira e eu) estávamos viajando, a Europa ainda estava sofrendo os efeitos do vulcão da Islândia, as revoltas na Grécia contra as severas medidas do governo, haviam enviado sua mensagem de anarquia através das mídias mundiais, incluindo igualmente a mais letal "Batalha de Bangkok”, o Euro experimentou uma grave perda de confiança e provocou uma forte queda no mercado de valores mundial, enquanto que o óleo derramado pela Deepwater Horizon fora da costa da Luisiana continuou saindo a borbotões, espalhando sua mortal superfície escorregadia. Antes de sair da Índia, um acidente aéreo devastador ocorreu em Mangalore, e ao mesmo tempo, os Maoístas, agora ativos em 20 dos 29 estados da Índia, bombardearam um ônibus e recentemente causaram o descarrilamento de um trem com um alto custo de vidas.

Ao chegar a Mumbai você percebe que acabou de pousar em um campo armado. E não pode entrar em um hotel ou um centro comercial sem passar pelos controles de segurança ao estilo aeroporto. As ruas, abarrotadas de táxis e mais táxis, ônibus e um ocasional BMW, estão cheias de mendigos e lixo. Apesar do muito promovido boom econômico hindú, a disparidade entre os ricos e os pobres não poderia ser maior. Não é de estranhar que os Maoístas sejam tão ativos. O discreto luxo do ar condicionado da recepção de um hotel cinco estrelas é protegida por seguranças e os portões fechados. Atravessando a rua está o caos abundante: a pobreza e a enfermidade, as mães segurando seus bebês, e aleijados arrastando-se através das sujas calçadas.

A conversa no Quênia é sobre a nova constituição. A constituição atual não foi criada pelos Quenianos, mas por um comitê internacional em Oxford, Inglaterra, em 1963. Faz alguma diferença? É difícil de dizer. O governo está cheio de corrupção e a periferia de Nairobi, os distritos são tão miseráveis como qualquer outro que se possa ver, exceto talvez fora de Mumbai. Enquanto que os novos arranha-céus enchem o horizonte de Nairobi, a riqueza ainda é, em grande parte, controlada por interesses estrangeiros, isto é, pela Índia e o Reino Unido, com a China forçando seu ingresso muito rapidamente. Também há alguns centros comerciais novos, que lhe indicam que a globalização está deixando sua marca. Mas não é uma cidade segura. Quando pedimos a direção de uma loja em particular, uma mulher Muçulmana nos levou para um lado e nos deu conselhos sobre o que não fazer, "Aqui já não há segurança", nos disse, e logo amavelmente nos acompanhou à pé até o nosso destino.

A única maneira de chegar a um albergue no sopé do Monte Quênia é através de um safári. Se você não estiver em um safári turístico, se prepare para pagar um preço exorbitante. No albergue há uma abertura para poder olhar os animais, porém como é temporada de chuva, a maioria dos animais fica escondida. Só os macacos estão, literalmente, com todo o pique. Mas há uma característica curiosa. Muitos deles estão sem uma ou ambas as patas dianteiras, ou perdendo um braço, e até mesmo alguns estão sem cauda. Perguntamos ao homem que cuida dos animais, o único capaz de falar sabiamente sobre eles para os turistas. Seu rosto se entristece com preocupação. O albergue obtém sua eletricidade através de um transformador no limite de sua propriedade. Ele não está coberto ou protegido, assim, quando repentinamente os macacos entram e agarrando alguns dos cabos elétricos, seus membros são decepados.

Até agora tem sido incapaz de convencer a companhia hindu que administra o albergue para que pelo menos cubram ou selem a estação transformadora de maneira que os macacos não possam entrar mais.

O Monte Quênia é único, se elevando a mais de 5.000 metros acima do nível do mar, é a maior montanha que se encontra no equador. Pela primeira vez em poucos anos há neve uma vez mais em seu pico escarpado. Tradicionalmente, esta montanha era considerada como o lugar aonde o criador supremo, Deus Ngai viria à Terra e examinava as grandes terras da África Oriental. Hoje, está rodeado por um Parque Nacional, onde se estabeleceu um pequeno anel de albergues. Já que seu pico está virtualmente no equador, tem um poder geomagnético que por si mesmo justifica seu "estado sagrado." O caminho até e desde a montanha, está cheio de pequenas aldeias rurais, cada uma com mercados amplos, e abarrotadas de gente, tudo apenas a um passo da área de favelas. Parece que quase todo o mundo no Quênia está equipado com um telefone celular. Entre as aldeias se encontram terras agrícolas de grande riqueza, plantações e granjas. Porém, com tal aparente abundância, por que há tanta pobreza?

Em Nairobi e no Quênia central e ocidental predomina o Cristianismo - um Cristianismo fundamentalista que substitui um conjunto de superstições por outro. "Se você medita, vai deixar que o diabo entre em sua mente." Há uma série de canais de televisão que transmitem propaganda Cristã fundamentalista. Os Muçulmanos estão em sua maioria no leste do Quênia, centrados na segunda cidade, Mombasa. Há meninas Muçulmanas por todas as partes, caminhando pelos campos em seus jibabs. Os homens com seus gorros brancos, calças e túnicas estão também sempre presentes. Em algumas comunidades, estão os Muçulmanos que fazem cumprir as leis e conseguem se livrar dos traficantes de drogas. Tanto Mombasa como Nairobi também têm vários templos Hindus. Há um impressionante templo, Jain, tanto em Nairobi como em Mombasa, indicando a forte presença da Índia e os interesses comerciais Hindus.

As próximas eleições no Quênia serão em 12-12-2012, só nove dias antes do encerramento do ciclo. Depois das últimas eleições em 2007, tem havido muitos enfrentamentos brutais e o país se manteve temporalmente instável. Algumas pessoas temem que isto possa acontecer de novo. Fora de Nairobi está o subúrbio de Karen.

Ali é onde Karen Blixen viveu, e onde escreveu seu famoso livro Fora da África. Hoje, é uma frondosa área verde, aonde vivem muitos dos Quenianos “brancos”. Trata-se de uma interessante e vibrante mistura, muitos dos quais estão envolvidos em projetos para ajudar a tirar os meninos das ruas sujas – yoga e jardins de hortaliças no quintal - ou lidam com o desenfreado HIV (a esperança de vida é agora só 52 anos), ou para melhorar o chão do Museu Nacional, ou de uma forma ou de outra, apoiar a infra-estrutura sócio-cultural para poder elevar a estabilidade e perfil do seu país.

Talvez a cidadã mais famosa do Quênia seja a ganhadora do Prêmio Nobel Wangari Maathai, cujo projeto, Cinturão Verde, tem a participação das mulheres a nível comunitário para plantar árvores - mais de 20 milhões. Ela escreveu recentemente um livro intitulado, “O Desafio para a África”, o qual, entre outras coisas, dá uma visão histórica sucinta de como a África se tornou tal qual é hoje. É uma leitura reveladora, e ela é uma forte defensora de que a ação comunitária em escala capacita o individuo. Todavia, a pessoa deixa a Quênia, se perguntando: O que se pode ser feito, de imediato, em relação à pobreza e a saúde - grandes extensões de favelas nas quais não existe um sistema de saneamento, nem água potável digna, e na qual, o bom alimento nutritivo é difícil de chegar?

Como podemos viver neste mundo com seus bilionários, tráfico de drogas, HIV e degradação ambiental, abundante cultura de globalização, guerras e terrorismo, bombas e armas de fogo - e não ter a força de vontade para fazer algo sobre a evidente desigualdade e a injustiça que prevalece no mundo? Enquanto estávamos no Quênia, a União Européia votou a favor de uma fiança de um trilhão de dólares para tirar do apuro o Euro e para estabilizar sua economia. Também lemos que só no ano passado os Estados Unidos gastou mais que uns trilhões de dólares em armas. Onde está os trilhões de dólares para instalar um sistema sanitário nos bairros pobres de Nairobi ou Mumbai, e nos bairros pobres de todo o planeta? Em seu livro, Banqueiro dos Pobres, Muhammad Yunus disse que os pré-requisitos mínimos para cada ser humano no planeta são: 1. Uma casa a prova de chuva: 2. Um banheiro sanitário; 3. Água potável limpa, e 4. Três refeições por dia. Se não somos capazes disto, nós fracassamos como espécie. Preferimos as armas e o dinheiro.

As pessoas nos países ricos esperam na fila para obter seus iPads. Enquanto isso, é noticiado, o 11º suicídio em apenas alguns meses na fábrica Chinesa que fabrica o iPad. Muitas pessoas nos países ocidentais telefonam para um número para solucionar problemas com seu computador e acabam falando com alguém na Índia. Todavia, alguma vez viram onde vive o Hindu e o qual é seu tipo de vida cotidiana? Na Índia há muita miséria, e se não é mais do que na África, é por poucos números. Enquanto Mumbai é o centro do ciclone da disparidade de riqueza e justiça, Chennai, ao sul, a quarta maior cidade da Índia, pelo contrário, é uma área residencial melhor, e os cortiços pobres são menos evidentes, entretanto, quando você sai à rua encontra o mesmo caos de pobreza e trânsito louco. Nos hotéis você tem opção de muitos canais que parecem oferecer nada mais que o melhor ou o mais recente filme de Bollywood: uma distração cheia de charadas divertidas bem entranhadas de clichês culturais da Índia, criando sua própria sub-cultura de modelos, ídolos de cinema e músicos.

Pondicherry está a duas ou três horas ao sul de Chennai - o tempo depende da audácia ou loucura do taxista que te leva. Não há regras de trânsito que inspirem respeito à medida que você avança sobre as estradas rurais. A única regra é a de tocar a buzina quando você quer ultrapassar – assim, há uma dissonância constante de buzinas de carros, ônibus e caminhões, e as pessoas que correm riscos e que lhe deixam de cabelo em pé, como um desfile de ônibus e táxis, caminhões e vans lotadas, jogando roleta russa em uma estrada de duas pistas, que freqüentemente parece um pesadelo, com três ou quatro pistas de cruzamentos e com veículos que transitam tentando cruzar com segurança.

Pondicherry é onde Sri Aurobindo, o grande poeta e ativista político, virou o yogue e o pensador profundamente evoluído, e passou a maior parte de sua vida - de 1910 a 1950. Ali, com sua companheira, Madre, criou seu ashram e em 1926 se envolveu na descida da consciência supra-mental do futuro. Seguindo seu Samadhi, em 9 de dezembro de 1950, quando sua consciência deixou seu corpo para penetrar a consciência do planeta, Madre sonhou com a idéia de Auroville de uma cidade universal, aonde todos pudessem ser livres para buscar a verdade espiritual exposta por Sri Aurobindo e Madre. Hoje, Auroville é uma comunidade próspera com 2000 habitantes localizada justamente fora de Pondicherry. É auto-sustentável e um bom modelo de sociedade do futuro, que alguém poderia encontrar, isolada do caos de Pondicherry por um cinturão verde de árvores plantadas pelos Aurovilleanos ao longo dos anos. No centro está o Matrimandir, uma brilhante estrutura com um domo geodésico situado no centro de um pavilhão do jardim de grama, observando todo o mundo como um OVNI que acaba de aterrissar. No contexto da Índia atual, Auroville é verdadeiramente um milagre.

O ashram de Sri Aurobindo se encontra em uma área tranqüila do bairro Francês de Pondicherry. Tem um ar de tremenda serenidade. Os devotos de um tipo ou de outro sempre estão passando pelo ashram, para tocar ou colocar sua cabeça no sarcófago onde o corpo de Sri Aurobindo repousa em seu estado final de samadhi. Tudo é absolutamente tranqüilo. O samadhi é muito eficaz. Entra em seu corpo e mente.

Fora do ashram está o templo do Elefante, um vistoso santuário Hindu com sensacionais estátuas do panteão Hindu. O ambiente é totalmente diferente do ashram. Há um elefante vivo, pacientemente de pé, com um símbolo branco pintado em seu terceiro olho. Então, mais adiante está propriamente Pondicherry, um gigantesco povoado de 700.000 pessoas - tudo está do lado de fora, o lixo, as vacas que entram e saem das multidões, os mendigos, a sujeira em cada canto das ruas. Os cidadãos no querem por recipientes de lixo nos cantos das ruas porque pensam que atrairão os mosquitos e miss ainda, os mendigos. Assim, ao invés, todo o mundo se conforma com empilhar o lixo aonde seja possível.

Seguindo de avião para Singapura, a mente está cheia de imagens e perguntas. Há uns dois anos e meio para 21 de dezembro de 2012. Ao contemplar esta micro-fatia de nosso mundo com seu nível esmagador de caos e miséria, uma coisa é certa: nenhuma conferencia humana ou seminário, organização religiosa ou governamental, ONG ou empresa vai ser capaz de fazer muito a respeito, nem sequer ser plenamente capaz de encarar a raiz do problema da pobreza humana e da injustiça, assim como da esmagadora degradação ambiental que caracteriza nosso mundo de hoje.

A injustiça da pobreza e a inutilidade de gastar mais dinheiro em armamento, enquanto se luta, em escala máxima, contra a degradação ambiental, deveriam ser as prioridades principais da raça humana, somos na realidade um organismo racional coerente planetário – que neste momento, não o somos. Se, na verdade soubéssemos lidar com estes assuntos e cada governo fizesse destes, sua prioridade, então veríamos o terrorismo desaparecer. Pois a raiz do terrorismo é a injustiça, o desequilíbrio de poder, o materialismo agressivo e os interesses egoístas que continuam perpetuando o problema sem, sinceramente, desejar fazer algo a respeito. Infelizmente o problema - a crise - é endêmico ao sistema inteiro. Na verdade, só a destruição do sistema atual de acordo com os princípios de conduta humana e a ação ambiental responsável pode mudar isso, porém, isto nunca acontecerá o suficientemente e logo. O fato é que temos que corre contra o tempo, pois a situação está fora de controle.

Qual é a responsabilidade de cada um ante este trágico fracasso da espécie humana? Não tem sentido reunir-se com outras pessoas se não formos dizer: Aqui está o que vamos fazer assim que sair desta conferência... Isto é o que vai por uma casa a proba de chuva para todos os seres humanos, um banheiro sanitário e assim sucessivamente. Enquanto houver pessoas boas que estejam fazendo algumas destas coisas, merecem receber todo o nosso apoio, porque essa é sua prática espiritual, o grande problema, a causa raiz permanecerá. Não importa os bons resultados que a reunião tenha, não vão convencer o Banco Mundial, aos Rothschild, aos Bilderbergs, ao FMI, aos Bill Gates e aos Carlos Slims, à União Européia e os bilionários da Índia a inverter, de imediato, a erradicação da pobreza, e o equilíbrio da balança da justiça. Os animais tratam as suas espécies melhor do que os humanos se tratam uns aos outros.

O que as pessoas precisam entender é que na realidade, 21/12/2012 é a data limite da humanidade, e agora mesmo, a humanidade prefere enviar um homem a Marte para ver de frente o que foi criado em seu planeta de origem. Se o ciclo verdadeiramente está terminando em 21 de dezembro de 2012, e algo vai acontecer então a única coisa a ser feita, que não temos feito, é mudar a nossa consciência.

Parte II. Convertendo-nos na Mudança que queremos ser – Bem-vindos à Noosfera.

O cérebro humano tem agora a chave de nosso futuro. Agora, nós temos que recordar a imagem do planeta desde o espaço exterior: Uma única entidade na qual estão interconectados o ar, a água e os continentes. Esse é nosso lugar.

David Suzuki
Uma mente de luz substituirá a confusão atual e dificuldades desta ignorância terrestre... Esta é a possibilidade que devemos buscar, e isso significaria uma nova humanidade elevada à luz, capaz de espiritualizar o ser e a ação, aberta ao governo por alguma luz da verdadeira consciência, capaz inclusive a nível mental e sobre seu próprio comando de algo que poderíamos chamar o começo da vida divina.

Sri Aurobindo
Por falar em mudar nossa consciência – até mesmo transformando-a - devemos considerar que há um projeto infalível e inefável de todos estes procedimentos em nosso mundo, o qual parece ter derivado de um acampamento armado cheio de resíduos tóxicos e perdendo rapidamente sua biodiversidade biológica. Mesmo dentro dos véus da mais escura ignorância que agora prevalece, nós podemos ver que ainda há um movimento de consciência sempre se esforçando para ascender passo a passo, até esse lugar onde há um "novo céu e uma nova Terra".

É neste momento próximo da consciência cósmica (21/12/2012) que poderemos experimentar a descida da super-mente, a mente de luz. E então, mais além, poderemos ainda avançar, passo a passo, em formas cada vez mais perfeitas e luminosas, irradiando a luz de um samadhi que tudo penetra com a verdadeira consciência universal, e agora se torna uma característica irreversível da mente terrestre - tudo isto está de acordo com o inefável projeto, o "plano divino." É pelo alinhamento consciente com este plano, aceitando-o de todo o coração e sem restrições, este inescrutável projeto da natureza, que nos tornaremos capazes de praticar a “vida divina".

Para mudar nossa consciência, e aproveitar a ascensão que continua a mesmo na hora mais escura da crise planetária, precisamos perceber o exemplo da Terra como um todo, a Terra que vemos do espaço exterior. Este é o lugar para se começar, pois este não é só onde estamos, mas quem nós somos.

Em nossa contemplação devemos absorver a Terra em nossos corações. Devemos experimentar a Terra como uma simultaneidade unificada. Dia e noite, oceano e terra, ar e mente, tudo ao mesmo tempo. Ela é, na realidade, um conjunto uniforme, e tudo nela e dentro dela constitui uma totalidade única, embora possa parecer dividida em numerosas partes.

A Terra já está em um estado avançado de samyak samadhi, concentração correta, meditação ou samadhi absorvido dentro de si mesmo. Sem desvios, se move em sua órbita, girando incessantemente, assegurando-se de que todos os aspectos de seu ser esférico sejam expostos igualmente para a fonte luminosa de sua vida e consciência, o Sol. Ela tolera tudo, até mesmo os homens mais indomados e incontroláveis, dirigidos pelas fixações unilaterais de seus próprios sistemas de crenças não examinadas, aparentemente incapazes de qualquer inteligência a mais - sim, até mesmo estes que ela considera como seus filhos.

A Terra em sua totalidade unificada não busca vingança. Todavia, ela opera por leis que se forem repetidamente violadas, produzirão seus próprios resultados, impondo suas próprias formas de justiça.

Em sua simultaneidade unificada da totalidade de vida, onde o santo e o pecador, o hipócrita e o buscador da verdade, todos, igualmente, respiramos o mesmo ar e nos movemos pelo mesmo sangue que corre em suas veias, a Terra já está vivendo a vida divina, um corpo planetário capaz de uma autotransformação aparentemente interminável, ressurreições repetidas e renascimentos mesmo em meio a sua própria morte. Ela possui uma mente e uma consciência que estão inteiras e acomodam todas as suas formas cristalinas e de viver. Através de eóns, ela tem surgido lentamente em uma condição de ser cada vez mais consciente e luminosa. Agora, espera seu próximo revestimento de consciência, o manto da auto-reflexão para deslizar sobre ele, um manto arco-íris produzido por seus filhos do amanhã, aqueles que se mantém em sintonia com a descida da super-mente.

Para a Terra em sua simultaneidade unificada, sempre é o mesmo momento no tempo. O homem rico desfrutando de seu coquetel no final de seu dia fazendo dinheiro, o homem pobre despertando em seu colchão no solo a meio mundo de distância, são para a Terra, ao mesmo tempo, os dois lados do mesmo momento de experiência. A Terra está em um contínuo momento de sincronicidade. Ela se banha em um raio de tempo de um fractal de momento de despertar descendo de todas as direções até seu campo eletromagnético radiante. A perfeição sincrônica é tudo o que ela conhece, porque é uma Nave do Tempo movendo-se imperceptivelmente em sua trajetória para a consciência cósmica plenamente iluminada.

A Terra não busca matar ou trair, é incapaz de mentir e não precisa roubar nada de ninguém. Tudo o que ela precisa para se manter, para experimentar, ou para conhecer, ela já possui em si mesma. Ela não precisa viajar para outros planetas ou outros mundos para conhecer o que não é. Ela sabe por si mesma, do centro do mais profundo do seu ser, onde só há um condensado e incrivelmente luminoso silêncio, que ela também não é o que se pensa que ela seja. Ou melhor, ela é um ponto de sabedoria Inter-dimensional que recebe sua inspiração da totalidade do cosmos, como tem chegado até ela, descendo através de seus pólos em infinitas ondas plasmáticas durante bilhões de anos.

Agora ela espera esse momento que se aproxima, a descida da super-mente, a próxima expansão de sua mente dentro das freqüências solares que iluminam seu espaço de meditação. Ela sabe a hora e o momento. A inquietude de seus filhos é seu sinal. Ela sabe que até mesmo entre eles, em sua confusão e causando problemas para si mesmos e para ela, o plano universal está atuando. Ela só precisa de um punhado deles para que a levem em seus corações e, simultaneamente, pratiquem o que ela pratica todo o tempo: o samadhi supremo da unificação sempre-existente. Ela sabe que a enfermidade das mentes de seus pequenos filhos, logo será dissolvida. Os amigos luminosos de mais além já estão aqui para ajudá-los, assim que o suficiente deles desperte do sonho da separação. Então, saberão que é sua mente e não seus brinquedos que os tornam grandes, já que sua mente é, na verdade, a mente da Terra, e a mente da Terra é a ligação para os poderes cósmicos insuperáveis e a simultaneidade de consciência sempre sincrônica.

Ela lhes envia uma mensagem, um oráculo:
Mensagem do Tempo:

"Deixa a parede cair na vala
a civilização está em ruínas.
Não usem a força para corrigir as coisas
Mas, perseverem em silêncio.
O caminho do mal está em ascensão.
Porém, não tem nenhum fundamento.
Dentro de vocês, estão amadurecidos os sinais do amanhã.


Ela sabe que entre eles estão os que podem ouvir cujos corações ainda batem com a lembrança da primeira criação, e assim, eles podem estar prontos para a segunda criação. Agora é o momento para que estes se tornem verdadeiramente dedicados e não tenham nenhuma outra causa, a não ser o samadhi da unificação com a Terra.

Se você acha difícil entrar neste samadhi, então, procure adquirir um globo e faça com que ele seja o foco de sua meditação. Quando você tem um globo, você está vendo a Terra como é vista do espaço exterior. Então, você pode ver que é um único todo indivisível, uma totalidade unificada. Tudo e todos estão nela, e em todas as partes ao mesmo tempo - dia e noite, as estações, Pólo Norte e Pólo Sul, tudo de vez, o mesmo instante de tempo cósmico em todas as partes ao mesmo tempo.

Isto é o que acontece quando você tem a perspectiva da Terra como um todo. A Terra não mostra nenhuma parcialidade. Ela está sincronizada com a ordem cósmica da realidade. Sua órbita é a demonstração de sua submissão à lei cósmica. Se ela se tornou rebelde e se desviou, isto só causou estragos absolutos em toda a sua rede de subsistemas interdependentes e interconectados. Seria suicida rebelar-se. Assim, ela permanece obediente à lei cósmica. Basta que de vez em quando ela experimente uma mudança de pólos, ou que um meteorito se choque contra ela.

Porém estes também são ajustes necessários. Ela tem sido submissa a sua lei durante 4bilhões de anos. Isso significa que, em sua função como um elétron planetário para o núcleo atômico do Sol, ela deu a volta ao redor do centro da galáxia 20 vezes até agora (a razão de 200 milhões de anos para o Sol fazer este circuito). Assim, qualquer tipo de ajuste que ocorra em 2012, o que quer que seja, saiba que a Terra está preparada, porque isto é inevitável.

Levando em conta a grande mudança agora, em nós, considere que você está neste episódio cósmico. Você tem sorte de estar fazendo um passeio gratuito ao redor do Sol, e participando um pouco do circuito ao redor da galáxia. Se há uma reorganização para acontecer, talvez seja porque como espécie, nós não aderimos aos princípios da justiça nem demonstramos gratidão suficiente para com este precioso planeta o qual cuida de nós. Tudo na Terra é dado livremente pela mesma Terra. Só os seres humanos utilizam sua inteligência e a construção artificial de dinheiro para obrigar aos demais de sua espécie a pagar pelo que é, na realidade, um presente da Terra.

Agora a Terra está sangrando óleo, uma mensagem de que o estilo de vida que a espécie humana tem construído para se mesma não é eficaz. As prioridades humanas estão totalmente desequilibradas e de cabeça para baixo. Suas mentes estão imersas em sistemas de normas e regulamentos que pouco tem a ver com a realidade e, que atualmente obstruem todo o tipo eficiente de ação responsável, especialmente em face, a tal grande mudança.

Por esta razão, a forma supremamente eficaz de tornar efetiva esta grande mudança é ir fundo e transformar a consciência do planeta. Cem mil humanos meditando em uma seqüência de momentos sincronizados focados em um único ponto, percebendo a Terra como uma continuidade, uma simultaneidade instantânea da totalidade unificada, seria suficiente para efetuar uma mudança. A consciência, não a vida e a forma, é o princípio essencial de evolução do cosmos. Como o grande pensador Hindu Sri Aurobindo escreveu acerca desta premissa:

"Nesta visão das coisas do universo se revelará em sua unidade e totalidade como uma manifestação de um único ser, a natureza como seu poder de manifestação, a evolução como seu processo de manifestação gradual na matéria." ("Super-mente em Evolução").

O poder da mente criou a máquina e o tempo artificial que governam nossas vidas. Voltado para si mesmo, o poder da mente pode curar, em última instância, todas as coisas. O poder da mente humana coletiva sincronizada como uma só consciência planetária focada em um único ponto poderia alterar a evolução de nossa mente e o espírito de maneira irrevogavelmente, ao mesmo tempo, enquanto nos proporciona o conhecimento, insights e habilidades telepáticas, para converter nossa crise para a Segunda Criação.

É possível este evento de consciência super-mental para 2012. Há tempo suficiente, e há pessoas suficientemente capazes disto. Esta é a solução predita pela mensagem do tempo. Então, nós também saberemos que não estamos sozinhos. A civilização cósmica ao longo do universo, que nós descobriremos, está esperando que nós cheguemos a esta solução. Nós escutaremos o grito ressoando através da Terra: "Bem vindos a casa!" E então saberemos que: Sim, nós estamos em casa. Um novo tempo e um novo dia amanhecerão. Sim, Bem vindos à Noosfera!
Valum Votan
G.R.I.

Fonte:

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sexta-feira, 2 de julho de 2010

O Desastre no Golfo do México


Será que aprendemos com o desastre da British Petroleum?

Será que realmente e finalmente poderemos aprender algo mais real que este terrível desastre?

Imaginar que uma catástrofe desta magnitude provocasse alguma humildade ou sentimento de culpa nos executivos da British Petroleum? Ou nos fazer acreditar que a "Natureza já está dominada"?

"O oceano é grande, ele agüenta! (sic)" Foi o que se ouviu de Tony Hayward, presidente da PB nos primeiros dias após o vazamento de óleo no Golfo do México.

Enquanto isso, o porta-voz insistia que "Micróbios insaciáveis devorariam todo o petróleo que aparecesse na água, porque a natureza tem seus meios para contribuir! (sic)”

Cientistas de várias partes do planeta afirmam que há risco real de que o petróleo continue a vazar por muitos e muitos anos, enquanto que a geologia nos aponta que outras catástrofes virão a partir desta.

A Natureza já está cansada e degradada demais para agüentar tantas loucuras!

A limitação humana tem sido presença constante nessa catástrofe, mas a reação mais claramente sociopatológica veio do veterano jornalista-comentarista Llewellyn King (White House Chronicle) que afirmou:

"Em vez de temer os riscos da grande engenharia, deveríamos festejar por sermos capazes de construir máquinas tão fantásticas, que arrancaram a tampa do fundo do mundo" (sic).

Veja o vídeo abaixo: é uma comédia, porém, assustadoramente próximo da realidade de pessoas como os executivos da British Petroleum.



Felizmente, outros estão aprendendo com as lições desta catástrofe, pois a nossa Terra é sagrada e toda a natureza contida nela é também é sagrada.

Tudo o que é sagrado possui uma energia da qual nós ainda não compreendemos e não compartilhamos completamente.

Portanto, ao invés de consagrarmos as máquinas que provocam “feridas” incalculáveis e irreversíveis em nosso planeta; poderíamos preservar o pouco que nos resta de nossa sagrada Terra.

Índios de várias etnias sabem o quanto é sagrado o nosso planeta e que a vida flui de uma “natureza indomável”, cuja fartura incalculável nos dá tudo o que necessitamos para vivermos em paz e harmonia.

Talvez aprendamos a lidar melhor com a química e a física da Terra e talvez finalmente devamos reduzir nosso consumo desenfreado.

Talvez o homem pare finalmente de brincar de Deus e aproveite mais as dádivas da Mãe Natureza enquanto estão vivos, e quando entenderem que eles são "Filhos da Natureza" e não os "Donos da Natureza".

Quando perceberem e sentirem isso em seus corações, entenderão o "PRINCIPIO FUNDAMENTAL ABSOLUTO - A BASE DIVINA DA CRIAÇÃO.

Luz é Amor
Amor é Luz
Mara

Imagem: http://www.thedailygreen.com/
Vídeo: BP Derrama Café

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segunda-feira, 21 de junho de 2010

A Maior Flor do Mundo - José Saramago

Uma pequena homenagem ao extraordinário José Saramago



A Maior Flor do Mundo from Fundação Jose Saramago on Vimeo.

“E se as histórias para crianças passassem a ser de leitura obrigatória para os adultos? Seriam eles capazes de aprender realmente o que há tanto tempo têm andado a ensinar?”

"Eu não escrevo para agradar ou para desagradar, escrevo para perturbar"
José Saramago

Informações sobre o filme:
Curta-metragem de animação baseada no livro A Maior Flor do Mundo, de José Saramago
De Juan Pablo Etcheverry, com música de Emilio Aragón
Produção de Continental Animación

Luz é Amor
Amor é Luz
Mara

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sexta-feira, 11 de junho de 2010

Rachel Corrie: A Menina e o seu Sonho


Postado por: Universae
O navio irlandês que levava ajuda humanitária a Gaza e foi interceptado pelas forças armadas israelenses foi batizado de Rachel Corrie; porém, quem foi Rachel Corrie?

Pouco se sabe sobre essa jovem pacifista cuja coragem e caráter são admiráveis.

Essa escassez de informações sobre Rachel talvez se deva ao fato de que ela era um tipo de pessoa que incomoda aos opressores, pois arrisca a sua própria vida em defesa dos oprimidos.

Este amor ao próximo assusta ao poder.

A foto acima é emblemática: um olhar sério, firme, seco, direto em seus propósitos e ao mesmo tempo terno.

Rachel Aliene Corrie nasceu em 10 de abril de 1979 na cidade de Olympia no estado de Washington. Rachel era universitária e pertencia ao Movimento pela Justiça e Paz.

Ela organizou iniciativas em memória das vítimas do onze de setembro (por ocasião do aniversário do atentado) e também da guerra no Afeganistão.

Posteriormente, Rachel viajou para Israel onde se juntou a um grupo chamado Movimento Internacional de Solidariedade.

Esta associação era formada por uma rede de ativistas pacifístas de várias nacionalidades que tentavam agir como escudo humano contra as atrocidades cometidas por Sharon nos territórios ocupados.

Uma dessas ações se ocupava de tentar bloquear, sempre de forma pacífica, os temíveis Buldozers (Escavadeira blindada tipo tanque usada por Israel para derrubar as casas de famílias palestinas. Mesmo com elas vivas lá dentro!).

Em 16 de Março de 2003, em uma ação em Rafah (fronteira de Gaza), Rachel encontrava-se juntamente com seus amigos para se opor às demolições usando apenas um megafone.

Foi quando um Buldozer jogou terra sobre ela e avançou esmagando o seu corpo e a matando na hora. Rachel subestimou o barbarismo do inimigo.

O comandante da unidade que procedia a derrubada das casas ordenou aos soldados que dirigiam os Buldozers "QUE PASSASSEM POR CIMA DE QUEM ESTIVESSE NO CAMINHO".

Estas ordens partiram diretamente de Jerusalém (fato comprovado por posterior testemunho do capitão Uri Avner, que pediu baixa do exército israelense após o caso).

E foi o que aconteceu:
Rachel, postada à frente da escavadeira numa tentativa desesperada de detê-la; morreu, esmagada pelo monstro mecânico que avançou sem piedade, não dando a menor chance dela escapar a tempo.

Relatos de testemunhas:

“Ela estava sentada na trajetória de um Buldozer, o condutor a viu e mesmo assim passou sobre ela” declarou Joseph Smith, militante pacifista americano.

“A escavadeira jogou-lhe terra por cima e depois a esmagou” disse Nicholas Dure, outro companheiro.

O exército de Israel e seus apologistas cuidaram de abafar o caso, que foi distorcido pela mídia local e pela dos EUA, tratando o crime como "imprudência de uma irresponsável defendendo um ninho de terroristas".

Mas a família e vizinhos do agricultor Hassan Din Daud, cuja casa foi afinal derrubada, e os demais ativistas presentes trataram de divulgar a verdade.

Este foi um assassinato a sangue-frio, mostrando a que ponto chegam os opressores do povo palestino mesmo contra opositores desarmados (Rachel portava apenas um megafone) e não-violentos.

O próprio governo americano se omitiu, e hoje a família Corrie busca justiça para sua filha até nas cortes internacionais de Direitos Humanos, numa tentativa incansável de obter justiça.

Rachel Corrie, de apenas 23 anos, perdeu a vida quando defendia com o seu próprio corpo as suas idéias, o seu ideal de justiça, o direito e a liberdade aos oprimidos e também o direito dos cidadãos palestinos de terem um pouco de terra.

As autoridades de Israel deram diferentes versões do acontecido, todas elas desmentindo a documentação fotográfica e os testemunhos.

Rachel e os seus companheiros denunciaram que dia após dia dezenas de casas eram destruídas na fronteira de Gaza (um total de 3.000), e que os bombardeios destruíram os poços de água que irrigavam os campos de refugiados de Rafah, não sendo possível repará-los pelos trabalhadores palestinos, pois estes estariam expostos às balas dos soldados de Israel.

Aos 10 anos de idade, Rachel deu uma pequena amostra do espírito extraordinário que ela possuía.

Veja o vídeo abaixo:


“Eu estou aqui por outras crianças
Eu estou aqui porque eu me importo!
Eu estou aqui porque as crianças em toda parte do mundo estão sofrendo e porque quarenta mil pessoas morrem a cada dia de fome.
Eu estou aqui porque essas pessoas são em sua maior parte de crianças.
Nós temos que entender que existem pobres e eles estão a nossa volta e nós os estamos ignorando.
Nós temos que entender que estas mortes são evitáveis.
Nós temos que entender que os povos nos países do terceiro mundo pensam, se importam, sorriem e choram como nós.
Nós temos que entender que eles sonham os nossos sonhos e nós sonhamos os deles.
Nós temos que entender que eles são como nós. Nós somos como eles.
Meu sonho é que não haja mais fome no ano 2000.
Meu sonho é salvar estas quarenta mil pessoas que morrem todos os dias.
Meu sonho pode ser verdadeiro se todos nós olharmos para o futuro e levarmos uma luz para brilhar lá. Se ignorarmos a fome, essa luz se apagará.”

O governo de Israel tem sistematicamente cometido crimes hediondos contra a pessoa humana sob o olhar complacente da ONU, dos países europeus e dos Estados Unidos. Por quê?

É bom lembrar aos que chamam de anti-semitas todos aqueles que criticam e acusam o governo e a política de Israel de criminosa, que pessoas corajosas e humanitárias como Rachel Corrie salvaram milhares de judeus da morte durante a 2ª guerra.

Aquela mesma morte nefasta, brutal, hedionda e covarde que foi aplicada pelos nazistas contra o povo judeu; hoje é imposta pelo governo israelense ao povo palestino.

Pessoas de diversas nacionalidades, religiões, histórias e culturas se importam com a vida humana e lutam em favor dos oprimidos.

Rachel Corrie era uma jovem que se importava e os seus sonhos eram de um incondicional amor ao próximo!

Luz é Amor
Amor é Luz
Mara


Vídeos relacionados:

Sites relacionados a Rachel Corrie:

As informações e o texto foram extraídos em sua maior parte nos sites:

Imagens:

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terça-feira, 8 de junho de 2010

Israel: Noam Chomsky


Noam Chomsky
Do The New York Times

O ataque violento de Israel à Flotilha da Liberdade que levava ajuda humanitária à Faixa de Gaza chocou o mundo.

Sequestrar barcos em águas internacionais e matar passageiros é, com certeza, um crime grave. Mas o crime não é nada novo.

Há décadas, Israel vem sequestrando barcos entre o Chipre e o Líbano e matando ou sequestrando passageiros, algumas vezes mantendo-os como reféns em prisões israelenses.

Israel supõe que pode cometer tais crimes com impunidade porque os Estados Unidos os toleram e a Europa geralmente segue a direção dos EUA.

Como os editores do The Guardian muito bem observaram em 1º de junho, "se ontem um grupo armado de piratas somalis tivesse entrado em seis barcos em alto mar, matando pelo menos 10 passageiros e ferindo muitos outros, uma força-tarefa da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) estaria se dirigindo hoje para a costa somali".

Nesse caso, o tratado da Otan determina que seus membros prestem ajuda a um país companheiro na Otan - a Turquia - atacado em alto mar.

O pretexto de Israel para o ataque foi que a Flotilha da Liberdade estava transportando materiais que o Hamas poderia usar para construir bunkers e lançar foguetes contra Israel.

O pretexto não é crível, Israel pode facilmente colocar um fim na ameaça dos foguetes por meios pacíficos.

O contexto histórico é importante. O Hamas foi considerado uma maior ameaça terrorista quando venceu uma eleição livre em janeiro de 2006. Os Estados Unidos e Israel reforçaram suas punições de palestinos, agora pelo crime de votarem da forma errada.

O cerco a Gaza, incluindo um bloqueio naval, foi uma consequência. O cerco se intensificou acentuadamente em junho de 2007, depois que uma guerra civil colocou o Hamas no controle do território.

O que é comumente descrito com um golpe militar do Hamas foi, na verdade, incitado pelos Estados Unidos e por Israel, em uma rude tentativa de reverter as eleições que tinham levado o Hamas ao poder.

Isso é de conhecimento público desde pelo menos abril de 2008, quando David Rose relatou na Vanity Fair que George W. Bush, a conselheira de Segurança Nacional Condoleezza Rice e seu vice, Elliott Abrams, "apoiaram uma força armada sob o comando do homem forte do Fatah Muhammad Dahlan, desencadeando uma sangrenta guerra civil em Gaza e deixando o Hamas mais forte do que nunca". O terror do Hamas incluía lançar foguetes nas cidades israelenses próximas - ato criminoso, sem dúvida, embora seja apenas uma minúscula fração dos crimes rotineiros dos Estados Unidos e de Israel em Gaza.

Em junho de 2008, Israel e o Hamas firmaram um acordo de cessar-fogo. O governo israelense o reconheceu formalmente até que Israel quebrou o acordo em 4 de novembro daquele ano, invadindo Gaza e matando meia dúzia de ativistas do Hamas. O Hamas não disparou um único foguete.

O Hamas propôs renovar o cessar-fogo. O gabinete israelense avaliou a oferta e a rejeitou, preferindo lançar sua invasão assassina de Gaza em 27 de dezembro.

Assim como outros estados, Israel tem o direito à autodefesa. Mas Israel tinha o direito de usar a força em Gaza em nome da autodefesa? A lei internacional, incluindo a Carta das Nações Unidas, não apresenta ambiguidades: uma nação tem esse direito apenas se esgotou os meios pacíficos. Neste caso, tais meios não foram sequer tentados, embora - ou talvez porque - houvesse todas as razões para se supor que teriam funcionando.

Dessa forma, a invasão foi uma agressão claramente criminosa, e o mesmo pode ser dito sobre Israel ter recorrido à força contra a flotilha.

O cerco é brutal, destinado a manter os animais enjaulados quase mortos com o objetivo de evitar o protesto internacional, mas não mais do que isso. É o último estágio dos antigos planos israelenses, respaldados pelos Estados Unidos, para separar Gaza da Cisjordânia.

A jornalista israelense Amira Hass, uma importante especialista em Gaza, descreve a história do processo de separação: "as restrições ao movimento palestino que Israel introduziu em janeiro de 1991 reverteram um processo iniciado em junho de 1967.

Naquela época - e pela primeira vez desde 1948 -, grande parte da população palestina vivia novamente no território aberto de um único país - sem dúvida, um país que estava ocupado, mas, no entanto, estava inteiro".

Hass conclui: "A separação total da Faixa de Gaza da Cisjordânia é uma das maiores realizações da política israelense, cujo objetivo preponderante é evitar uma solução baseada em decisões e entendimentos internacionais e, em vez disso, ditar um acordo baseado na superioridade militar de Israel".

A Flotilha da Liberdade desafiou essa política e, por isso, deve ser esmagada.
Um esquema para encerrar o conflito árabe-israelense existe desde 1976, quando os países árabes introduziram uma resolução do Conselho de Segurança exigindo o estabelecimento de dois estados na fronteira internacional, incluindo todas as garantias de segurança da Resolução 242 das Nações Unidas, adotada depois da guerra de junho de 1967.

Os princípios essenciais são virtualmente apoiados pelo mundo todo, incluindo a Liga Árabe, a Organização dos Estados Islâmicos (incluindo o Irã) e protagonistas importantes que não são estados, incluindo o Hamas.

Mas os Estados Unidos e Israel lideraram a rejeição a esse arranjo por três décadas, com uma exceção crucial e altamente instrutiva. Em seu último mês no cargo, em janeiro de 2001, o presidente Bill Clinton iniciou em Taba, no Egito, as negociações entre israelenses e palestinos, que quase chegaram a um acordo, anunciaram os participantes, até que Israel encerrou as negociações.
Hoje, o legado cruel de uma paz fracassada continua a existir.

O cumprimento da lei internacional não pode ser exigido contra os estados poderosos, a menos que por seus próprios cidadãos. Isso é sempre uma tarefa difícil, particularmente quando a opinião articulada declara que o crime seja legitimado, seja explicitamente ou por meio da adoção tácita de um sistema criminal - o que é mais insidioso, porque torna os crimes invisíveis.


Noam Chomsky é professor emérito de lingüística e filosofia no Instituto de Tecnologia de Massachusetts em Cambridge, Massachusetts. Artigo distribuído pelo The New York Times Syndicate.

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quarta-feira, 2 de junho de 2010

Gaza - Operação Chumbo Impune


Para se justificar, o terrorismo do Estado fabrica terroristas: semeia ódio e colhe álibis. Tudo indica que esta carnificina de Gaza, que segundo seus autores quer acabar com os terroristas, conseguirá multiplicá-los.

Desde 1948, os palestinos vivem condenados à humilhação perpétua. Não podem nem respirar sem permissão. Perderam sua pátria, suas terras, sua água, sua liberdade, seu tudo. Sequer tem o direito de escolher seus governantes. Quando votam em quem não devem votar, são punidos. Gaza está sendo punida. Converteu-se em uma ratoeira sem saída, desde que o Hamas ganhou de forma justa as eleições no ano de 2006. Algo semelhante ocorreu em 1932, quando o Partido Comunista ganhou as eleições em El Salvador. Banhados em sangue, os salvadorenhos expiaram sua má conduta e desde então viveram submetidos às ditaduras militares. A democracia é um luxo que nem todos merecem.

São filhos da impotência, os foguetes caseiros que os militantes do Hamas, encurralados em Gaza, disparam com pouca pontaria sobre as terras que eram palestinas e que a ocupação israelense usurpou. E o desespero, à beira da loucura suicida, é a mãe das bravatas que negam o direito à existência de Israel, gritos sem nenhuma eficácia, enquanto a muito eficiente guerra de extermínio vem negando, há anos, o direito à existência da Palestina.

Pouca Palestina resta. Passo a passo, Israel a está exterminando do mapa.

Os colonos invadem, e atrás deles os soldados vão consertando a fronteira. As balas consagram os restos mortais, em legítima defesa.

Não há guerra agressiva que não diga ser guerra defensiva. Hitler invadiu a Polônia para evitar que esta invadisse à Alemanha. Bush invadiu o Iraque para evitar que este invadisse o mundo. Em cada uma das suas guerras defensivas, Israel engoliu outro pedaço da Palestina e, os almoços seguem. A comilança se justifica pelos títulos de propriedade que a Bíblia outorgou, pelos dois mil anos de perseguição que o povo judeu sofreu, e pelo pânico gerado pelos palestinos na espreita.

Israel é o país que jamais cumpre as recomendações nem as resoluções das Nações Unidas, e que nunca acata as sentenças dos tribunais internacionais, que zomba do direito internacional, e é também o único país que legalizou a tortura dos prisioneiros.

Quem lhe deu o direito de negar todos os direitos? De onde vem a impunidade com que Israel está executando a matança de Gaza? O governo espanhol não poderia bombardear impunemente o País Basco para acabar com o ETA, nem o governo britânico poderia devastar a Irlanda para liquidar ao IRA. Por acaso a tragédia do Holocausto implica uma apólice de eterna impunidade? Ou esse sinal verde provêm da potência manda chuva que tem em Israel o mais incondicional dos seus servos?

O exército israelense, o mais moderno e sofisticado do mundo, sabe quem mata. Não mata por erro. Mata por horror. As vítimas civis são chamadas de danos colaterais, segundo o dicionário de outras guerras imperiais. Em Gaza, de cada dez danos colaterais, três são crianças. E somam-se os milhares de mutilados, vítimas da tecnologia do esquartejamento humando, que a indústria militar está testando com êxito nesta operação de limpeza étnica.

E como sempre, sempre o mesmo: em Gaza, cem a um. A cada cem palestinos mortos, há um israelense.

Gente perigosa, adverte outro bombardeio, a cargo dos meios massivos de manipulação, que nos chamam a acreditar que uma vida israelense vale tanto quanto cem vidas palestinas. E esses meios também nos chamam a crer que são humanitárias as duzentas bombas atômicas de Israel, e que uma potência nuclear chamada Irã foi a que devastou Hiroshima e Nagasaki.

A chamada comunidade internacional, existe?

É algo mais que um clube de mercadores, banqueiros e guerreiros? É algo mais que o nome artístico que os EUA se auto denominam quando fazem teatro?

Diante da tragédia de Gaza, a hipocrisia mundial aparece mais uma vez. Como sempre, a indiferença, os discursos vazios, as declarações ocas, as declamações bombásticas, as posturas ambíguas, rendem tributo à sagrada impunidade.

Diante da tragédia de Gaza, os países árabes lavam suas mãos. Como sempre. E como sempre, os países europeus esfregam as mãos.

A velha Europa, tão capaz de beleza e de perversidade, derrama uma que outra lágrima enquanto secretamente celebra esta jogada de mestre. Porque a caça aos judeus foi sempre um costume europeu, mas há meio século atrás essa dívida histórica está sendo cobrada dos palestinos, que também são semitas e que nunca foram, nem são, anti semitas.

Eles estão pagando, com sangue, uma conta alheia.

Eduardo Galeano

Fonte: http://www.tijolaco.com/?p=17274
Nota: Eduardo Hughes Galeano (foto) nasceu em Montevidéu em 3 de setembro de 1940. Ele é jornalista e escritor uruguaio. É autor de mais de quarenta livros, que já foram traduzidos em diversos idiomas. Suas obras transcendem gêneros ortodoxos, combinando ficção, jornalismo, análise política e História

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sexta-feira, 23 de abril de 2010

A Natureza através dos Números - Fantástico !

Nature by Numbers from Cristóbal Vila on Vimeo.

Fonte: http://www.etereaestudios.com/index.html


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sábado, 10 de abril de 2010

Informações Importantes sobre a Gripe A

CAMPANAS - OS SINOS DOBRAN PELA GRIPE A - PORTUGUÉS from ALISH on Vimeo.


TERESA FORCADES, doutora em Saúde Pública, faz uma reflexão sobre a história da GRIPE A, dando informações científicas e enumerando as irregularidades envolvidas no assunto.
Explica as consequências da declaração de PANDEMIA e suas implicações políticas. Além disso, faz uma proposta para manter a calma, convocando-nos a ativar urgentemente os mecanismos legais e de participação cidadã relacionados ao tema.

Fonte: http://vimeo.com/7965935

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